“Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma.” [Tiago 1, 2-4]
Toda relação humana passa pelo seu momento de cansaço, seja um do outro, seja uns dos outros (em família nós percebemos isso claramente). Digo cansaço e não desgaste, algo bastante diferente…
Todos aqueles que estão ligados por verdadeiros e saudáveis laços de afetividade passam por isso. Vejo com muita naturalidade esse momento, já que somos diferentes em nosso modo de ler, ver e de viver a vida. Mas o que ainda me causa certo interesse é entender por que esse cansaço do outro na relação a dois – que para mim nada mais é do que um momento em que se faz necessário rever, reler e atualizar o outro em você – ainda seja motivo para que o casal acredite que a relação, sua união, seu namoro, seu casamento, seja lá o que for, esteja no fim, que o amor, mesmo estando ali, não dá conta. Aprendamos: o amor casal não é incondicional, ao contrário, ele impõe condições. É preciso muito mais que só o amor para resistir, reestruturar, recarregar as baterias da convivência. E esse é o momento para a pausa – juntos – , para o intervalo – também juntos .
É preciso que os dois tenham desenvolvido, construído juntos um respeito mútuo às suas individualidades, ao seu instante de afastamento do outro, um carinho silencioso, compreensivo, regado de afagos , olhares de cumplicidade, sorrisos simples e distanciamento físico como se estivéssemos a ler um bom livro, a corrigir uma prova, a estudar, a cozinhar, enfim fazendo qualquer coisa que precisássemos ou nos agradasse fazer em nossa solidão e outro passasse por nós para nos mostrar que estava ali. Acredito que esse cansaço, o qual às vezes nos chega permeado de dúvidas, sirva para que quem se ama cresça para além da estreita relação que os une.
Somos limitados, por muitas vezes impacientes e inseguros, e por isso temos dificuldade em viver e compreender esse intervalo. Pensamos que o amor já nos chega pronto, que se há dúvidas, ele já não é suficiente e que, no fim das contas, é melhor não ficarmos juntos. Temos dificuldade de parar um pouco e olhar o outro e o que somos quando estamos com ele.
Jesus tinha essa facilidade, não só porque o amor existia nele, mas também porque seu amor estava cheio do respeito, da paciência, da capacidade de esperar o outro chegar até aonde Ele se encontrava, de dar tempo ao tempo, de ficar olhando e cuidando do outro e não se impacientar com os intervalos. E nós, que nem sabemos do nosso futuro, sacrificamos amizades, namoros, casamentos quando, por pressa infantil e impaciência, não nos permitimos passar por esses pequenos cansaços em nossa vida a dois, unidos.
É importante que os casais tentem usar o que Jesus ensinou em seu relacionamento e assim fortalecidos, enfrentem esses pequenos temporais, nos quais é só estender a mão uma o outro e esperar que ambos acreditem que podem andar sobre as águas turbulentas.
