Sempre aprendi na faculdade (e agora no mestrado na minha querida UERJ) que não podemos chamar ninguém de burro tomando como base sua maneira de falar. Ao contrário, devemos aceitar que, do ponto de vista linguístico, a língua não é homogênea e por isso existem variantes que devem ser acessadas de acordo com o contexto, ou seja, de acordo com a situação de comunicação em que o falante se encontra.
Aprendi e ensino isso a meus alunos, a não rir do modo como o outro fala, a não discriminar o próximo por causa da maneira como ele se expressa. Entretanto, também ensino a eles que apesar de podermos escolher entre as variantes, algumas situações exigem que nos expressemos de maneira mais clara, concisa, ou seja, exigem a utilização da norma culta.
Acontece que, para termos chance de escolhermos qual variante vamos utilizar, é preciso que saibamos utilizá-las. E ensinar a variante padrão é sim o papel da escola, já que o aluno já chega sabendo falar português, afinal, esta é sua língua pátria.
Infelizmente, algumas teorias linguísticas foram sendo mal interpretadas e por isso chegou-se a esse ponto de total calamidade. Alguns “estudiosos” da língua dizem que não se deve mais ensinar a gramática e a norma culta para não ferir e humilhar o aluno, mas todos os que trabalham com a língua tiveram a oportunidade de aprendê-la e é por causa dela que podem estar hoje onde estão, pregando tal disparate! Alguns “teóricos” escrevem livros chamando qualquer tentativa do professor de ensinar as regras da Língua portuguesa, a língua nativa, a NOSSA língua de “preconceito linguístico”, mas todos eles tiveram acesso à norma culta e somente por isso eles puderam contestá-la.
Que maravilha é quando nossos alunos interpretam um texto literário considerado denso sozinhos! Que maravilha quando contestam argumentos falhos e clichês porque leram e tem domínio da língua!! Que maravilha quando entendem que a colocação da oração subordinada adjetiva muda o foco daquilo que você pretende chamar atenção no texto e que isso importa demasiadamente quando vamos nos expressar!!! Esse é o papel do ensino da gramática na escola. Seria isso humilhar o aluno?
Obviamente não, e aqueles que pregam tal contrassenso sabem o quanto estão se valendo de um sofisma* para convencer quem pouco sabe sobre o assunto! Humilhar o aluno não é ensinar a gramática: humilhar o aluno é não dar a ele a oportunidade de aprender e acabar dexando-o no mesmo nível intelectual no qual ele entrou na escola. Humilhar o aluno é privá-lo de poder aprimorar seus conhecimentos, de aprender a raciocinar melhor, privá-lo de interpretar um texto de maneira correta e de, consequentemente, ter o direito de questionar certas posições hoje tomadas como verdades absolutas quando não o são.
O que é certo, é certo. E ponto. Ensinemos isso. Ensinemos a gramática funcional, aquela que é acessada pelo falante dentro do contexto. Mostremos ao aluno que é preciso conhecimento das formas lexicogramaticais da língua para podermos escolher aquela que melhor se enquadra no que desejamos comunicar (e isso, meus caros, é ensinar Gramática!). Ensinemos a conjugar corretamente verbos os quais nem mais a mídia conjuga de maneira adequada (encontrei outro dia no Blog do Noblat o verbo “obter” conjugado erradamente!). Ensinemos o Português. E não uma falsa língua que não supre nenhuma necessidade, nem a comunicativa.
Não mostrar ao aluno que ele pode ter direito de escolha de qual variedade linguística ele vai utilizar, ou melhor, não mostrar ao aluno, a esse ser em plena formação, que ele pode evoluir, ser melhor, alcançar um patamar mais alto do que ele está – que é pleno direito de todo ser humano – é desonestidade acadêmica e mais ainda: desonestidade com a própria formação humana!
Em tempo: só pude escrever esse texto e você só pode me entender porque estudou gramática na escola. E sofisma também se aprende no colégio. Aula de português também serve para isso, para ensinar métodos de raciocínio e os “mec-istas” tiveram acesso a todas elas, por isso são tão espertos.
[Elisa Tavares]

Pois é Elisa…Chegamos ao ponto do politicamente correto esquecer totalmente séculos de Brasil e ensinar uma baderna barata e sem nexo.
Comentário por Everton do N. Siqueira — 16/05/2011 @ 19:46 |