Estava ouvindo algumas músicas que marcaram momentos da minha vida com Deus hoje. Bonitas, sabe? Músicas emotivas, que falam do amor de Deus, da cura, do quanto Ele nos ama e conosco se preocupa, do que perdermos e com Ele iremos recuperar. Músicas que tocam corações porque mostram o dia a dia da fé de muitos.
Não posso negar que, quando Deus toca nossa emoção, mexe com nossos sentimentos, algo muito bom acontece. Cantar, louvar, chorar na presença do Senhor é bom, sim, muito bom.
Mas isso passa. Sermos regidos apenas pela emoção e pela vontade não nos levará a nenhum lugar mais profundo com Deus. A emoção é traiçoeira. Se nossa fé é feita apenas disso, quando deixarmos de “sentir” aquele “calorzinho” na igreja já não iremos mais crer. Quando o grupo nos desapontar, iremos desistir de tudo.
E depois da música, o que sobra? Depois do louvor com a assembleia? Depois dos gritos, do barulho, da multidão, do choro histérico, o que nos resta?
Tremendo mesmo é quando Deus toca nossa razão e nos faz perceber que sem Ele somos nada. Toca nossa razão e nos faz acreditar no seu sacratíssimo corpo e sangue presentes no altar. Toca nossa razão e nos faz buscarmos alicerces para nossa crença. Aí sim, nossa fé tem bases, fundamento e não importa a tribulação que nos alcance, nada nos afastará da doce e real presença de Deus. Mesmo sem música. Mesmo sem multidões de braços levantados. Mesmo sem chorar, mesmo sem as grandes manifestações do “poder dos céus”.
Ali, no silêncio do quarto escuro, na calma da igreja, na sobriedade da missa, no nosso mais profundo recôndito. Ali é onde Deus opera verdadeiros milagres.
[Elisa Tavares]
